sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Stop Motion

De animações mais arrojadas até produções caseiras ou independentes. A técnica de stop motion vem sendo utilizada como um recurso infalível para dar movimento a ilustrações.  

É provável que você já tenha ouvido falar nesse termo em algum momento e talvez até assistido a vários filmes que usaram essa técnica. Quer saber mais sobre esse tipo de animação? Então continue lendo este artigo. 

O que é stop motion? 
Em tradução literal para o português, o termo stop motion significa “movimento parado”. Neste tipo de animação, um objeto é fotografado do mesmo ângulo diversas vezes, mas com leves mudanças em sua posição.  

Cada uma dessas fotografias representa um quadro do plano e, ao juntá-las em sequência, é possível criar vídeos animados com efeito de movimento. 

Tal fenômeno ocorre devido a uma ilusão de ótica, conhecida cientificamente como persistência da visão. Resumidamente, o olho humano retém as imagens formadas na retina por alguns décimos de segundo, mesmo após o clarão que as provocaram ter desaparecido.

Dessa maneira, quando assistimos a uma sequência de imagens de algum objeto projetadas a 12 quadros por segundo, o nosso cérebro é “enganado”.  Como a imagem fica gravada na retina por alguns segundos, o frame seguinte é projetado no exato instante em que o frame anterior começa a desaparecer da nossa “memória visual”. 

É esse processo que causa a sensação de movimento em filmes e animações.  Geralmente, cada segundo de uma animação filmada em stop motion leva em torno de 24 frames. Embora seja um processo bastante lento e trabalhoso, o resultado final é muito interessante. 

É como se objetivo tivesse vida própria!  Lembre-se que o material utilizado para compor os quadros deve ser resistente e, ao mesmo tempo possuir mobilidade para deslocar-se em pequenas escalas de tempo.  Essa técnica pode ser antiga, mas até hoje vem sendo aprimorada em diversos materiais audiovisuais da atualidade.  

A história do stop motion 
Esse recurso cinematográfico foi revelado pelo mágico francês George Mélies. Ele viu uma oportunidade de introduzir tal técnica nos seus truques de ilusionismo.  Mélies aprimorou o stop motion para o cinema, sendo o filme Viagem a Lua um marco na história da filmografia mundial. O longa ficou conhecido pela famosa cena de um foguete tripulado por seres humanos chegando à lua.  

Desenvolvido por vários diretores, o stop motion passou a ser utilizado os filmes de ficção no século XX, utilizado como base para os efeitos visuais, já que na época as tecnologias usadas eram rudimentares se comparadas à atualidade.  

Acompanhe agora a evolução do stop motion a partir da criação de nove cineastas:  

1. James Stuart Blackton 
O cineasta nascido no Reino Unido, mas erradicado nos EUA foi o percursor do cinema de animação. Em 1906, James Stuart lançou aquele que seria um ensaio do cinema animado, The Humorous Phases of Funny Faces, com três minutos de duração. 

Apesar de curto, essa foi a primeira tentativa de fazer uma animação filmográfica na história. O princípio era simples: ao mover com a mão rostos de homens e mulheres, suas expressões faciais também mudavam. 

2. Segundo de Chomón
Segundo de Chomón foi um diretor de cinema e roteirista espanhol, pioneiro na arte de stop motion no início do século XX. Seu trabalho era comparado as obras de Mélies, tamanha a artimanha em criar curtas-animados abusando da ilusão de ótica.

3. Émile Cohl 
O mais interessante no trabalho de Cohl, além de ter criado o cartoon Fantasmagorie (1908), é o senso poético das obras do artista parisiense.  Mesclando pintura e animação, muito desses trabalhos eram nomeados por críticos como a “oitava arte”, por combinar cinema animado com estéticas clássicas das escolas artísticas, como o cubismo, surrealismo e dadaísmo. 

4. Arthur Melbourne Cooper 
O diretor de fotografia britânico é conhecido por seu trabalho precursor nas técnicas de stop motion. Seus filmes, mais de trezentos no total, datam de 1896 a 1915, sendo 36 animações filmográficas.  Mesmo após sua morte, o artista não deixou de ser um nome polêmico entre os críticos de cinema. Sobretudo por seu relacionamento com outro importante cineasta: Birt Acres.  Esse fato, entretanto, não apaga as sua contribuições para o cinema de animação. 

5. George Pal 
Esse artista húngaro-americano marcou a história do cinema, sobretudo, por suas contribuições ao gênero de ficção científica.  Seu trabalho foi tão prestigiado pela crítica especializada, que o animador foi nomeado sete vezes consecutivas à premiação máxima do cinema (na categoria de curta-metragem em animação) de 1942-1948. Também recebeu um Oscar honorário em 1944.

6. Jiří Trnka 
O artista checo começou seus trabalhos com animação ao idealizar um teatro de marionetes durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar de ter falhado nessa iniciativa, Trnka não desistiu do trabalho voltado às crianças. Criou um cenário com livros ilustrados ao longo de toda a guerra.  

Posteriormente, montou seu próprio estúdio de filmagem em Praga, voltado para animação. Com os novos trabalhos, foi premiado em vários festivais de filmes na Europa. Muitos o nomeavam de “Walt Disney do leste”, principalmente pelo seu trabalho com animações de marionetes checas.  

7. Jan Svankmajer 
Este outro artista tcheco ganhou o cinema de animações graças aos seus desenhos impactantes e surrealistas. Por causa disso, serve de inspiração para muitos cineastas contemporâneos do gênero de animação.

8. Irmãos Quay e Terry Gilliam 
Esses gêmeos são um dos destaques do cinema animado contemporâneo, sobretudo pela capacidade de aliar bonecos, marionetes e outras figuras a cenários incrivelmente obscuros e impressionistas. 

O trabalho da dupla apresenta grande valor artístico, com um cuidado estético minucioso. Além disso, aliam movimentos de câmera a ambientes que emanam sensações em quem assiste.  Não à toa, fizeram história ao produzir o premiado vídeo clipe de Peter Gabriel, Sledgehammer

9. Tim Burton 
Talvez esse seja um dos animadores mais reconhecidos dessa geração. O cineasta norte-americano Tim Burton se inspira muito no trabalho de artistas já mencionados, como os Irmãos Quay e Jan Svankmajer. 

Amante dos filmes de horror, o diretor traz muitas dessas referências até para suas animações e filmes de aventura.  Por causa disso, suas obras infantis são sempre compostas de cenários carregados e densos, quase góticos. 

Na maioria de suas criações, elementos do mundo real misturam-se a objetos e animais personificados, em um tom surrealista. 

Fonte:
https://blog.hotmart.com/pt-br/stop-motion/

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